A SG Cultura Cidadã Consciente marcou presença no 68º Congresso Estadual de Municípios do Estado de São Paulo, considerado o maior evento municipalista da América Latina, reunindo mais de 10 mil participantes entre gestores públicos, especialistas e lideranças de todo o país. O encontro aconteceu no dia 8 de abril de 2026 e se consolidou como um espaço estratégico de troca de experiências, construção de agendas e reflexão sobre os desafios contemporâneos dos territórios.
Nesta oportunidade, Daniel Caporale, diretor da SG, participou como palestrante no painel “Vila do Turismo – Municípios com Vocação Turística”, ao lado do arquiteto e urbanista Vinícius Barreiro, diante de uma plateia interessada em compreender os caminhos para tornar regiões turísticas mais competitivas em um cenário global em transformação. Agradecemos à coordenadora do painel, Niuara Leal, pelo convite e pela oportunidade de integrar esse espaço qualificado de diálogo e construção coletiva.
O que torna uma região turística competitiva?
A palestra partiu de uma provocação central: é possível falar em desenvolvimento nos moldes atuais? Ou seria necessário repensar profundamente nossas relações com o território?
A partir dessa reflexão, foi apresentada uma ruptura de paradigma: mais do que acelerar ou desacelerar o crescimento, o desafio está em mudar o sentido do desenvolvimento, reconectando-o àquilo que foi denominado como a genialidade do lugar — ou seja, a identidade social, cultural e paisagística que torna cada território único.
Nesse sentido, a competitividade turística deixa de ser entendida como uma disputa isolada entre cidades e passa a ser concebida como uma estratégia associativa regional, baseada na cooperação, na integração territorial e no fortalecimento do bem-estar coletivo do ecossistema.
Outro ponto fundamental abordado foi a ressignificação do próprio turismo:
o turismo não é um fim em si mesmo, mas um meio. Um meio para promover desenvolvimento integrado, valorização cultural e sustentabilidade territorial.
Os pilares de um território turístico sustentável
A apresentação estruturou-se em diretrizes que apontam para um novo modelo de desenvolvimento turístico, entre elas:
- Integração territorial: pensar a cidade dentro de sua microrregião, promovendo sistemas colaborativos entre municípios;
- Qualidade ambiental e paisagística: alinhar produção, cultura e natureza em processos contínuos de planejamento urbano;
- Economia consciente: desenvolver atividades compatíveis com a matriz ecológica e o patrimônio cultural local;
- Cultura educadora: formar cidadãos e lideranças capazes de atuar nos novos paradigmas da sustentabilidade;
- Cidade para os habitantes: priorizar o bem-estar da população local como base para a atratividade turística;
- Mobilidade e acessibilidade integradas: estruturar territórios conectados e equilibrados;
- Projetos estratégicos (ícones): iniciativas que potencializem vocações regionais;
- Governança integrada: articulação entre atores públicos e privados em escala regional.
Esses pilares reforçam uma ideia central: a competitividade não está apenas na localização ou nos recursos, mas na capacidade de um território de construir sentido, identidade e cooperação.
Um chamado à construção coletiva
Mais do que apresentar soluções, a participação da SG no Congresso reforçou a importância de promover perguntas — aquelas que nos permitem repensar caminhos e construir alternativas mais alinhadas com os desafios do nosso tempo.
Seguimos acreditando que a transformação é individual, mas só se realiza plenamente no coletivo. É na articulação entre diferentes atores, saberes e territórios que se constroem respostas mais consistentes e duradouras.
Agradecemos a todos os envolvidos por essa rica troca de experiências e seguimos juntos, fortalecendo redes, promovendo diálogo e contribuindo para o desenvolvimento consciente dos territórios.